Em primeiro lugar nem todo estresse é igual. Existem alguns tipos que prejudicam o aprendizado e outros que o estimulam. Em segundo lugar é difícil detectar quando alguém está nesse estado. Algumas pessoas adoram saltar de paraquedas por divertimento, enquanto outras consideram essa aventura o seu pior pesadelo. Não existe um grupo de reações fisiológicas capaz de assegurar a um pesquisador se alguém está sob o efeito do estresse. A razão disso? Muitos dos mecanismos que nos fazem encolher de pavor diante de um predador feroz também são usados quando saboreamos uma ceia de natal, por exemplo. O estado de excitação é característico tanto do estresse quanto do prazer. Hoje em dia nossos momentos de estresse não são medidos em rápidos encontros com leões. Agora nos vemos expostos por horas, dias e às vezes meses a situações caóticas que podem envolver desde um ambiente de trabalho opressivo a problemas financeiros. Nosso organismo não foi feito pra isso. E, quando quantidades moderadas de hormônios permanecem por um tempo excessivo no nosso corpo ou aumentam muito, elas se tornam bastante prejudiciais. A longo prazo, o excesso de adrenalina deixa de controlar a elevação da pressão sanguínea. E esses aumentos desregulados criam pontos ásperos como lixa dentro dos vasos sanguíneos. Os pontos se transformam em cicatrizes que permitem que substâncias pegajosas existentes no sangue se acumulem ali, obstruindo as artérias. Se isso acontecer nos vasos sanguíneos do coração, o resultado é um infarto do miocárdio. Caso ocorra no cérebro, a consequência é um AVC. Bruce McEwen teve a idéia de que existem sistemas que se modificam para manter o corpo estável. O sistema do estresse e seus vários subsistemas intrincados é um deles. Esse modelo diz que o estresse por si só, não é prejudicial nem tóxico. O que faz com que ele se torne nocivo é o resultado de uma interação complexa entre o mundo externo e a nossa capacidade fisiológica (e psicológica) de lidar com ele.
Crianças de todas as idades que assistem a desentendimentos frequentes entre os pais têm mais hormônios do estresse na urina. Não há nada que podem fazer pra acabar com a briga, e a perda (ou ausência) de controle causa uma debilidade emocional. John Gottman observou que, quando marido e mulher iniciam a transição para a condição de pais, as interações hostis entre eles aumentam significativamente. Os bebês costumam fazer três solicitações por minuto. Esse pesquisador fez intervenções enquanto algumas mulheres ainda estavam grávidas e queria saber o efeito de um ambiente emocional estabilizado sobre o sistema nervoso em desenvolvimento do bebê. As crianças do grupo de intervenção não choravam tanto e tinham também um desenvolvimento do sistema nervoso ajustado e estável muito diferente dos outros que não tiveram intervenção. Isso indica que as descobertas de Gottman podem mudar o mundo, começando com os boletins melhores dessas crianças.
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